Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen vale a pena para quem gosta de RPG de mundo aberto com sistemas profundos, peões com personalidade própria e horas e mais horas de exploração, e o preço compensa pela quantidade de conteúdo. Mas se você espera gráficos ultrarrealistas, uma história cheia de reviravoltas ou um jogo que explica tudo de mão beijada, prepare-se: aqui o tempo (o seu e o do jogo) é parte da experiência.

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen review: um RPG completo e com muitos detalhes na jogabilidade
Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen review: um RPG completo e com muitos detalhes na jogabilidade · Imagem: Source: olhardigital.com.br

Prós:

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- Mundo aberto vivo, em que a passagem do tempo muda pessoas, monstros e até itens

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- Sistema de peões com classes, personalidades e comandos de comportamento

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- Muita liberdade para montar classe, equipamento e estilo de jogo

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- Cutscenes bem produzidas, mesmo no modo portátil do Switch 2

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- Conteúdo extenso, que justifica o investimento

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Contras:

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- Sistema de combinação de itens mal explicado, na base da tentativa e erro

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- Sem áudio em português (só legendas), o que dificulta o acesso do público

Dragon's Dogma 2: Dark Arisen chega em 9 de outubr
Dragon's Dogma 2: Dark Arisen chega em 9 de outubr · Imagem: Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen chega em 9 de outubro – Captação Interna

- Atalhos pouco práticos para itens no esquema padrão de controle

Imagem da matéria: Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen review: um RPG completo e com muitos detalhes na jogabilidade
Imagem da matéria: Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen review: um RPG completo e com muitos detalhes na jogabilidade · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- Excesso de opções e configurações pode deixar o começo confuso

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- Algumas cutscenes demoram a carregar no Switch 2

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é a versão completa do RPG de ação da Capcom lançado em 2024, agora acompanhado de uma expansão inédita ambientada na região de Norgan. O pacote chega em 9 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC (Steam) e, pela primeira vez, Nintendo Switch 2, plataforma em que testei o jogo.

Dragon’s Dogma 2 Dark Arisen review – Arisen em Norgan. – Capcom / Divulgação

Dragon’s Dogma: a franquia que nasceu (e renasceu) com um “Dark Arisen”

O primeiro Dragon’s Dogma, de 20212, chegou ao PlayStation 3 e ao Xbox 360 em maio daquele ano, dirigido por Hideaki Itsuno, nome que os fãs de ação conhecem de Devil May Cry. A história começa em Cassardis, uma vila de pescadores no ducado de Gransys, quando um dragão ataca, arranca o coração do protagonista e o deixa vivo. A partir dali, você se torna o Arisen, o escolhido destinado a enfrentar a criatura.

A grande sacada do jogo, já naquela época, eram os peões: companheiros controlados pela inteligência artificial que você cria, treina e compartilha com outros jogadores. Um peão seu podia acompanhar a aventura de outra pessoa e voltar com conhecimento novo sobre missões e inimigos.

Em abril de 2013, a Capcom lançou Dragon’s Dogma: Dark Arisen, uma versão expandida que juntava o jogo original a um conteúdo novo e bem mais difícil: a Bitterblack Isle, uma ilha-masmorra pensada para o pós-jogo. Foi essa edição que manteve a franquia viva por anos, ganhando versões para PC em 2016, PS4 e Xbox One em 2017 e Nintendo Switch em 2019. No meio do caminho, o Japão recebeu ainda o Dragon’s Dogma Online (2015), um spin-off online que nunca saiu de lá e foi encerrado em 2019, e a Netflix lançou uma adaptação em anime em 2020.

A sequência demorou mais de uma década para chegar. Dragon’s Dogma 2 foi lançado em 22 de março de 2024 para PS5, Xbox Series X|S e PC. Nele, você volta a ser o Arisen, mas desperta sem memória, enquanto um impostor ocupa o trono do reino de Vermund. O mapa se divide entre Vermund, terra dos humanos, e Battahl, lar dos beastren. O jogo passou de 4 milhões de cópias vendidas até o fim de 2025 sem receber nenhuma expansão, uma lacuna que finalmente foi preenchida agora.

A história de Dark Arisen: um dragão sem coração em Norgan

Assim como em 2013, o novo Dark Arisen junta o jogo-base a um conteúdo inédito, e não por acaso: a expansão é dirigida por Kento Kinoshita, o mesmo diretor do Dark Arisen original. Segundo a Capcom, a nova campanha leva o Arisen ao norte, para Norgan, uma região gelada abandonada há muito tempo. Lá, ele encontra o Dragão Caído (Fallen Dragon), uma criatura imortal que está sem o próprio coração, e se une a uma personagem misteriosa chamada Eir para investigar os segredos dela.

O espelho com o primeiro jogo é claro: se antes era o Arisen quem perdia o coração para um dragão, agora é o dragão quem vaga sem ele. Além da campanha, a expansão traz 12 masmorras de desafio, chamadas Lost Rites, que recompensam com equipamentos raros, e relíquias encontradas na exploração de Norgan, que podem ser avaliadas por NPCs específicos para forjar armas e armaduras mais fortes, algumas com efeitos e habilidades únicas. O editor de personagens também ganhou novos penteados e tatuagens.

Gráficos: aqui a mecânica fala mais alto

O visual de Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen não é nada impressionante no Nintendo Switch 2. É o padrão de um RPG desse porte, em que o que importa mais é a mecânica e a história do que gráficos extremamente avançados. Quem chega esperando um espetáculo visual de nova geração vai se decepcionar, mas quem conhece a proposta da série sabe que o foco nunca esteve aí.

As cutscenes, por outro lado, são bem feitas e cumprem bem o papel de dar peso aos momentos da história.

Desempenho no Nintendo Switch 2

Joguei no Nintendo Switch 2, no modo portátil, com todas as configurações no máximo. O jogo roda a no máximo 30 FPS, com o FSR 3 Frame Generation ligado. A Capcom confirmou que essa é a primeira vez que usa geração de quadros num jogo de Switch 2: o recurso interpola imagens para chegar a algo equivalente a 60 FPS, e pode ser ligado ou desligado a qualquer momento.

Durante a jogatina em si, não percebi travamentos ou dificuldades. O único ponto que me incomodou foram algumas cutscenes que demoraram a entrar, dando a impressão de que o console precisava de mais tempo para carregá-las.

Mundo aberto, missões e um relógio que não aparece na tela

O mundo de Dragon’s Dogma 2 é aberto, e você vai aceitando diversas missões ao longo da jornada. E aqui vai o primeiro conselho: cuidado para não acumular missões demais e esquecer as que dependem do tempo.

Um exemplo: ao chegar a Vernworth, a capital de Vermund, recebi uma missão para entrar no castelo e encontrar uma pessoa. Só que isso só era para ser feito à meia-noite. Não existe um relógio na tela marcando o prazo, mas também não dá para enrolar e esperar o dia raiar.

A passagem do tempo muda tudo

Essa passagem de tempo influencia diversas situações. Pessoas que ficam num lugar durante o dia podem estar em outro à noite. Para avançar as horas, você pode se hospedar numa pousada ou usar bancos especiais espalhados por alguns locais.

A noite tem regras próprias. Você precisa de uma lamparina para enxergar no escuro, o que também ajuda a localizar – e ser localizado pelo – os monstros, e, nas áreas selvagens, encontra criaturas diferentes das que aparecem durante o dia.

Até os itens sentem o tempo passar. Uma maçã, por exemplo, pode amadurecer, envelhecer e virar itens diferentes para a combinação de materiais. Os alimentos crus pedem atenção redobrada, para que você não acabe consumindo algo velho ou podre que traga efeitos colaterais.

Combinação de itens: na base da sorte

Essa foi a parte em que achei a explicação do jogo mais fraca. Há uma variedade enorme de itens, e você acaba tendo que fazer combinações na sorte para descobrir novos objetos. Na criação de poções, por exemplo, é difícil saber de antemão o que vai sair ao juntar duas ervas. Pelo nome de algumas, dá para deduzir, mas só depois de fazer é que você tem certeza. A boa notícia: descoberta a receita, basta repetir a mesma combinação quando precisar.

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen chega em 9 de outubro – Captação Interna

Forjas e melhoria de equipamentos

Não tive muito tempo para explorar esse sistema, mas é a boa e velha fórmula: encontrar ou comprar os materiais necessários e levar até uma loja de equipamentos ou forja para fazer os upgrades. O detalhe interessante é que cada forja tem um estilo diferente, e isso pode influenciar o resultado, puxando mais para magia ou para força. Vale ficar de olho em qual estilo combina mais com o seu jeito de jogar e com o equipamento que você está melhorando.

Peões: os companheiros que fazem a diferença

Os peões continuam sendo o coração da série. Você pode convocá-los nas pedras da fenda (mediante um custo) ou contratá-los pelo caminho e nas cidades espalhadas pelo mapa. Dá para dar comandos para que tenham comportamentos diferentes, mais agressivos, mais exploradores, mais focados em suporte, ou simplesmente deixá-los no modo padrão.

Cada peão tem classe e personalidade próprias, o que muda tanto a forma de agir em combate quanto as falas. Foi justamente um peão com aura de cura que salvou a minha pele em vários momentos, como conto mais abaixo.

Sem áudio em português: as legendas não dão conta no meio da luta

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen tem legendas em português, mas não tem áudio em PT-BR. Eu costumo jogar com o volume bem baixo ou sem som, e senti que isso me prejudicou. O jogo tem muitos diálogos, dos NPCs que te acompanham e dos próprios peões, e várias dessas falas passam informações úteis naquele exato momento. A legenda até aparece, mas no meio de uma batalha você está focado em acertar o inimigo e desviar dos golpes, não em ler. E para quem não sabe inglês ou japonês, fica com esta dificuldade também.

Controles: cadê o atalho de itens?

Nos controles, senti falta de alguns botões de acesso rápido, principalmente para itens de cura. No esquema padrão, não havia uma opção prática para usá-los, e quando o bicho apertava, já era. A solução veio de outro jeito: depois que recrutei um peão com aura de cura, as coisas ficaram bem mais tranquilas.

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen vale a pena? Veredito

Achei Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen um jogo um pouco confuso no começo. São muitas opções de configuração, de especificação de personagem e até de como fazer as missões (dá para mandar peões cumprirem tarefas separadas, por exemplo), e isso me deixou perdida. É como ter uma ferramenta excelente nas mãos e usar só o básico porque é mais fácil.

Claro que, com tempo, dá para explorar tudo, e isso é um ponto positivo. É um jogo extenso, em que você vai investir muitas horas, e pelo preço essa relação compensa, ainda mais com as diferentes classes disponíveis, que geram aventuras diferentes por sua jogabilidade.

Nestas primeiras horas de teste, a dificuldade foi justamente conseguir explorar tudo o que o jogo oferece. É um RPG que pede paciência e tempo. Mas se você está esperando gráficos ultrarrealistas ou uma história completamente surpreendente (até onde joguei, não houve nenhuma grande reviravolta), este não é o jogo para você.

Ficha técnica

- Jogo: Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen

- Desenvolvedora e publicadora: Capcom

- Diretor da expansão: Kento Kinoshita

- Gênero: RPG de ação em mundo aberto

- Lançamento: 9 de outubro de 2026

- Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC (Steam)

- Versão analisada: Nintendo Switch 2 (modo portátil)

- Idiomas: interface e legendas em português; áudio sem PT-BR

- Preço: pacote completo (jogo-base + expansão) a R$ 242,50 no PS5 e R$ 242 no Xbox; expansão avulsa a R$ 145,50 no PS5 e R$ 145 no Xbox

- Classificação indicativa: 16 anos

Chibi Martins

Chibi Martins é comunicóloga de formação, geek de coração e trabalha com a área de entretenimento há mais de 15 anos.

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