Alfredo Henrique

Gaeco registrou possível encontro na cadeia; coluna apurou suspeitas de acesso do político a informações privilegiadas antes de sua prisão

Alfredo Henrique

17/10/2026 15:13

Câmara Municipal de São Paulo

Sete dias antes da operação que revelou suspeitas de regalias concedidas a Milton Leite (União Brasil), uma mulher com características semelhantes às da delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, esteve na unidade policial onde o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo está preso. Na mesma ocasião, uma pessoa parecida com o político foi retirada da carceragem e levada a uma área restrita.

A movimentação, registrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 9 de outubro, consta de uma decisão judicial obtida com exclusividade pela coluna. A coluna apurou que Margarette é investigada pela Corregedoria da Polícia Civil. A defesa dela não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

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Vereador Milton Leite
Afonso Braga/Câmara Municipal de SP
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Ex-vereador Milton Leite se entrega à Polícia Civil, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo
Reprodução/TV Globo
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O ex-vereador Milton Leite saindo de delegacia em Mogi das Cruzes
Reprodução/TV Bandeirantes
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Milton Leite, presidente de honra da Estrela do Terceiro Milênio, desfila ao lado dos filhos
Reprodução
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Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
Caiuá Maia / Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
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Vereador Milton Leite (União Brasil)
Reprodução
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Vereador Milton Leite (União), presidente da Câmara de São Paulo
Richard Lourenço/Rede Câmara
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O presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite
Lucas Bassi/Rede Câmara
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O presidente da Câmara Municipal, Milton Leite
Richard Lourenço / Rede Câmara
Quase uma hora fora da cela
Por volta das 13h20, uma viatura descaracterizada chegou ao 1º DP de Mogi das Cruzes. Dela desembarcaram dois homens e uma mulher com características semelhantes às da delegada seccional.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), um dos homens entrou na cadeia e retornou acompanhado de uma pessoa com características compatíveis com as de Milton Leite.
Essa pessoa foi conduzida à área administrativa restrita, onde permaneceu por quase uma hora antes de retornar à carceragem. Pouco depois, a mulher deixou a unidade na mesma viatura.
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Na decisão, a Justiça descreve a movimentação como um aparente encontro previamente ajustado. O documento não confirma a identidade da mulher nem se ela participou do possível encontro.
Suspeita de informação privilegiada
A coluna apurou que o episódio reforçou suspeitas de que Milton Leite possa ter tido acesso a informações privilegiadas antes da Operação Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de setembro.
Na ocasião, o ex-vereador não foi localizado pelos policiais encarregados de prendê-lo. Ele negou estar foragido e se apresentou à Polícia Civil somente no dia seguinte, em Mogi das Cruzes.
Outro ponto considerado na apuração é que o delegado responsável pelo pedido de prisão do político é subordinado à delegada seccional investigada.
Até o momento, não há comprovação oficial de vazamento de informações sigilosas. A decisão judicial obtida pela coluna também não aponta a delegada como responsável por eventual repasse dessas informações.
Operação contra regalias
Na sexta-feira (16/10), o Gaeco deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel, que investiga visitas irregulares e possíveis favorecimentos na cadeia de Mogi das Cruzes.
Durante as buscas, foram apreendidos cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com o carcereiro Jaércio da Cunha Braga e em sua residência. Ele é suspeito de facilitar regalias aos presos.
A defesa de Milton Leite nega que ele tenha recebido tratamento privilegiado na unidade.


