A Starlink recebeu autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para utilizar a banda S, na faixa de 2 GHz, no Brasil. A decisão, aprovada na última sexta-feira (9), abre caminho para que a empresa de internet via satélite ofereça, futuramente, conexão diretamente a telefones celulares, sem a necessidade de uma antena instalada pelo usuário.

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Apesar da autorização, o serviço ainda não está disponível para uso comercial no país. Segundo a Anatel, a tecnologia permanece em fase de testes e regulamentação. Além disso, ainda não há celulares no Brasil compatíveis com a frequência autorizada, e a Starlink não apresentou um pedido para operar comercialmente a conexão direta entre satélites e aparelhos.
O que muda com a autorização da Anatel?
A liberação da banda S permite que a Starlink avance na preparação de uma futura modalidade de conexão conhecida como D2D, sigla em inglês para direct-to-device, ou conexão direta entre satélites e dispositivos. A empresa pretende utilizar essa faixa de frequência para transmitir dados a celulares.
Em uma publicação na rede social X, a companhia comemorou a autorização e afirmou que pretende empregar o espectro para ampliar o acesso à banda larga móvel no país.
ANATEL just scored a huge win for the people of Brazil by voting to approve Starlink Mobile’s full 2 GHz access with our global S-band priority. Starlink will put this critical mid-band spectrum to work to make sure every Brazilian has access to high-speed mobile broadband on their devices 🛰️📱
— Starlink (@Starlink) October 9, 2026
A empresa planeja lançar, em 2027, satélites capazes de transmitir nessa faixa de frequência. A iniciativa, porém, ainda depende de outras etapas antes que a conexão possa ser oferecida comercialmente aos consumidores brasileiros.
Em nota, a Anatel destacou que a autorização representa uma etapa importante para uma eventual oferta do serviço, mas não permite, por si só, a operação comercial da conexão direta entre satélites e celulares.
Atualmente, a Starlink tem autorização para utilizar uma constelação de 11.908 satélites no Brasil. O serviço oferecido pela empresa funciona por meio de antenas que recebem o sinal dos satélites, sendo uma alternativa especialmente útil para pessoas que vivem em regiões sem cobertura de cabos de telecomunicações.
Como funciona a internet via satélite?
A internet via satélite permite fornecer conexão de banda larga sem a necessidade de levar um cabo de telecomunicações até a residência do usuário. Nesse modelo, parte da transmissão de dados acontece por meio de ondas de rádio que conectam antenas, satélites e estações terrestres.
O processo começa quando o modem do usuário envia uma solicitação. A antena transmite os dados para um satélite, que os encaminha a uma estação terrestre da operadora, chamada gateway. Essa instalação se conecta à internet por meio de redes de fibra óptica.
A resposta percorre o caminho inverso até chegar ao roteador do usuário. Assim, o satélite atua como um intermediário que retransmite os dados, em vez de gerar a conexão à internet por conta própria.
Mesmo com a transmissão passando pelo espaço, a infraestrutura terrestre continua sendo necessária. As estações conectadas à rede de fibra óptica fazem a ligação entre os satélites e a infraestrutura que conecta data centers, provedores e serviços on-line em diferentes partes do mundo.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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Tags: Anatel internet móvel starlink


