1714 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela posse de um novo governador-geral em Salvador, pelo estabelecimento de uma nova Casa da Moeda na Bahia e pela crescente preocupação da Coroa com a segurança das rotas comerciais nas regiões auríferas. Um documento oficial da época descrevia o sertão da capitania da Bahia — que englobava as comunidades mineradoras de Jacobina e Rio das Contas, bem como a região do Rio São Francisco — como um "covil de ladrões", ilustrando a dificuldade de impor a lei da Coroa nas zonas de mineração mais afastadas.

Eventos

Novo governador-geral e Casa da Moeda na Bahia Em junho de 1714, tomou posse em Salvador como novo governador-geral do Estado do Brasil Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, o Marquês de Angeja, que substituía Pedro de Vasconcelos e Sousa. Angeja permaneceria no cargo até 1718, período que coincidiu com a fase de maior produção aurífera da história colonial e com a organização gradual das estruturas fiscais e administrativas das minas. No mesmo ano, foi estabelecida uma nova Casa da Moeda na Bahia, vinculada ao esforço de centralização da fundição e cunhagem do ouro colonial. As Casas da Moeda eram os espaços onde o ouro era fundido em barras, selado com a marca da Coroa e tributado pelo quinto real — o imposto de 20% sobre toda a produção aurífera. A existência de uma Casa da Moeda na Bahia reduzia a necessidade de transportar o ouro bruto pelas longas rotas que iam das minas até o Rio de Janeiro, diminuindo o risco de contrabando e o desgaste físico das comitivas.

Os sertões mineradores da Bahia Um documento oficial enviado a Lisboa em 1714 descrevia o interior da capitania da Bahia — especialmente as regiões de Jacobina e Rio das Contas, no atual interior baiano — como um "covil de ladrões", caracterização que refletia tanto a ausência de autoridade civil quanto a proliferação de aventureiros, contrabandistas e escravos fugidos que se acumulavam nas novas regiões de garimpo. A questão seria debatida na Corte durante décadas, e só em 1734 seria criada uma nova comarca específica para administrar a região.

A Igreja e a assistência hospitalar colonial Em 1714, as Santas Casas de Misericórdia de Salvador, do Rio de Janeiro e de Recife continuavam sendo as únicas instituições hospitalares sistemáticas da colônia. A Santa Casa de Salvador — a mais antiga das Américas, fundada em 1549 por Tomé de Sousa e por iniciativa dos membros da Companhia de Jesus que acompanhavam o governador-geral —, operava com um hospital, uma roda dos expostos para crianças abandonadas, um orfanato e um cemitério público. Os Sete Povos das Missões, no atual Rio Grande do Sul, continuavam sob a administração dos jesuítas, que mantinham nos povoamentos guaraníticos uma estrutura social completa: igrejas barrocas, oficinas de artesanato, hospitais, plantações comunitárias e um sistema de ensino que incluía música, canto coral e aprendizado de ofícios. Em 1714, a população missioneira no lado português da fronteira foi estimada em aproximadamente 30 mil habitantes, todos sob a direção dos padres da Companhia de Jesus.

Quadro político

Ver também Casa da Moeda (Brasil) Santa Casa de Misericórdia da Bahia Sete Povos das Missões Orientais Ciclo do ouro Brasil colonial 1713 no Brasil 1715 no Brasil

Referências