As relações entre Brasil e Azerbaijão atravessam um período de aproximação e de busca por novas oportunidades de cooperação. Comércio, investimentos, turismo, conectividade aérea e intercâmbio cultural estão entre as áreas apontadas pelo embaixador do Azerbaijão no Brasil como caminhos para ampliar os vínculos entre os dois países.Há cerca de quatro anos no Brasil e em seu primeiro mandato como embaixador, Rashad Novruz afirma que o período foi marcado pelo fortalecimento do diálogo político e diplomático. Entre os avanços, ele destaca a realização do primeiro Grupo de Trabalho de Alto Nível sobre Comércio e Investimentos e a visita ao Brasil de uma delegação azerbaijana de alto nível.Segundo o embaixador, o país busca novas possibilidades de cooperação econômica.Na entrevista, Rashad Novruz fala ainda sobre sua experiência pessoal no Brasil, a diversidade do país e os esforços da Embaixada para levar a cultura do Azerbaijão para além de Brasília. Ele também revela projetos envolvendo música tradicional azerbaijana e o ensino do tar, instrumento considerado um dos símbolos da identidade cultural do país.Na área de turismo, o embaixador defende o crescimento do número de brasileiros que visitam o Azerbaijão e destaca as negociações de um acordo de serviços aéreos entre os dois países, que poderá favorecer tanto o transporte de passageiros quanto o de cargas.Diplomacia e Embaixadas — Embaixador, muito obrigada por estar aqui comigo. É um prazer realizar esta entrevista para o Grupo Record e o R7. O senhor está no Brasil há quase quatro anos, se não me engano. Gostaria que fizesse um balanço das suas realizações e das relações entre Brasil e Azerbaijão nas áreas econômica e de turismo. Fique à vontade também para falar sobre o atual momento das relações entre os dois países.Rashad Novruz — Obrigado, Fabiana. É sempre bom vê-la, nossa amiga e amiga do corpo diplomático. Uma das defensoras da imprensa livre e da diversidade de opiniões, não apenas no Brasil, mas também no mundo. É bom vê-la.Como você mencionou corretamente, estou aqui há quatro anos. Durante esse período, tivemos uma convergência política e diplomática muito positiva, com sinais que se reforçam mutuamente e ideias e projetos de interesse recíproco com o Brasil, em nível federal.Isso inclui, finalmente e felizmente, a realização do primeiro Grupo de Trabalho de Alto Nível sobre Comércio e Investimentos. Tivemos uma delegação liderada por dois vice-ministros: o primeiro vice-ministro da Economia e nosso vice-ministro das Relações Exteriores.Eles visitaram o Brasil e tiveram uma excelente troca de ideias e uma avaliação da situação das relações com o governo federal.Foram recebidos pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A reunião não tratou apenas dos elementos tradicionais da agenda — o que temos, onde estamos e quais questões ainda estão pendentes —, mas também de novos elementos.Por exemplo, o vice-presidente do Brasil demonstrou muito interesse em conhecer o potencial de cooperação entre nossos países na área de comércio e investimentos. E nossa delegação respondeu positivamente.Diplomacia e Embaixadas — Depois de quatro anos no Brasil, qual é a sua impressão sobre o país? Poderia falar um pouco sobre os aspectos positivos da sua experiência aqui?Rashad Novruz — O Brasil é ótimo. Existe uma diferença entre aquilo que imaginamos sobre o Brasil, tanto em relação à vida e ao estilo de vida quanto profissionalmente, e aquilo que encontramos quando estamos aqui.Meu compromisso profissional é com o trabalho que tenho. Estou feliz por ter sido nomeado embaixador. Este é o meu primeiro mandato como embaixador, então estou aprendendo — ainda estou aprendendo — o que significa ser embaixador.E esse processo está acontecendo aqui, no Brasil. Estou aprendendo a ser embaixador no Brasil.Isso é muito interessante. Há muitos componentes: a vitalidade, a diversidade da sociedade, a diversidade de opiniões políticas e a forma federativa de governo.Diplomacia e Embaixadas — É bastante diferente daquilo a que o senhor estava acostumado no Azerbaijão.Rashad Novruz — Não é completamente diferente. É simplesmente maior.Diplomacia e Embaixadas — O país é maior.Rashad Novruz — É uma República Federativa. O país é enorme, continental. É difícil cobrir tudo. Existe um desafio, mas em cada desafio existe uma oportunidade.Mesmo em uma situação de desvantagem, no final das contas precisamos ser capazes — como dizemos na diplomacia — de transformar uma desvantagem em um dividendo, em uma vantagem. Se isso não for possível imediatamente, talvez seja no médio ou no longo prazo.É isso que tenho aprendido durante esses quatro anos. E tive uma ótima experiência.O Brasil é um país incrível porque os brasileiros, de todas as classes da sociedade, são muito curiosos. Gostam de aprender e de explorar. Eu diria que são genuinamente interessados em descobrir e conhecer.Rashad Novruz — Nos meus primeiros dois anos, por exemplo, organizei sete concertos de etno-jazz e música clássica.Diplomacia e Embaixadas — Muito interessante! Com músicos do Azerbaijão?Rashad Novruz — Sim. E não apenas aqui no Distrito Federal. Nós expandimos. Fomos além do Distrito Federal, além daquilo a que estamos acostumados e da zona de conforto de ter o corpo diplomático e receber apenas integrantes do corpo diplomático.Não. Nós fomos para outras regiões: Rio de Janeiro, São Paulo e Belém. Realizamos concertos duas vezes em Belém.Queremos ampliar a geografia da nossa aproximação com a sociedade brasileira em todo o país, independentemente de seu tamanho continental, por meio da nossa música, gastronomia, cultura, eventos e artistas.Também realizamos exposições de arte e continuaremos promovendo concertos.Vamos retomar, depois de uma longa pausa, nossa participação em festivais de cinema.Também estamos discutindo um projeto muito importante no Brasil envolvendo aulas de tar.O tar é um instrumento musical tradicional do Azerbaijão e faz parte do DNA da nossa cultura.Rashad Novruz — O DNA da nossa história e da nossa identidade etnocultural permanece preservado.Anteriormente, apresentamos o tar no contexto da música clássica sinfônica e de orquestras no Brasil. Fizemos isso algumas vezes.Agora queremos apresentá-lo também individualmente e em projetos relacionados ao mugham, de maneira que possa ser facilmente compreendido, interpretado e recebido pelo público brasileiro.O mugham clássico provavelmente exige mais tempo para ser conhecido.Por isso, estamos procurando oportunidades de criar uma simbiose, uma sinergia entre nossa música e a música brasileira.Queremos preservar a identidade da música azerbaijana e do mugham, mas também incorporar uma flexibilidade que permita que essa música alcance e seja compreendida pelos brasileiros.Esperamos também iniciar muito em breve aulas de tar para crianças e jovens brasileiros.Diplomacia e Embaixadas — Eu mesma já estive duas vezes no Azerbaijão. É um país muito bonito, seguro e agradável. Como o senhor avalia o desenvolvimento do turismo entre os dois países? O Azerbaijão gostaria de receber mais turistas brasileiros?Rashad Novruz — Sim, absolutamente. Temos interesse em receber turistas brasileiros, não apenas em números de um ou dois dígitos. Queremos ver, anualmente e de maneira constante, um fluxo contínuo de brasileiros visitando o Azerbaijão, chegando a números de três, quatro ou cinco dígitos.Foi uma ideia do nosso presidente, Sua Excelência Ilham Aliyev, que orientou o governo a preparar e apresentar ao governo brasileiro uma proposta de acordo de conectividade e transporte aéreo, o que fizemos.Esse acordo possui dois elementos. Existe a conectividade para o transporte de passageiros, mas também o transporte aéreo de cargas, que representa outra oportunidade de negócios entre nossos países.Os dois lados estão trabalhando nesse acordo. Esperamos que, se não for possível concluí-lo nos próximos meses, possamos finalizá-lo no curto ou médio prazo e avançar para sua assinatura.Esse tipo de acordo naturalmente aumenta a atratividade entre os dois países.O que é turismo? É contato entre pessoas. Quanto mais turistas tivermos nos dois sentidos, mais nossas sociedades conhecerão umas às outras.Isso envolve os jovens, os esportes e os negócios.Rashad Novruz — O contato entre as populações dos nossos dois países é muito importante, apesar dos milhares de quilômetros que nos separam.Também existe um componente empresarial no turismo, como o turismo de luxo e o turismo de negócios.Há grupos de empresários que viajam a negócios e permanecem três, quatro ou cinco dias adicionais no país, dependendo do pacote turístico ou da agenda profissional.Portanto, sim, queremos receber mais brasileiros.Já temos um fluxo turístico significativo vindo de países e regiões próximas e também de lugares como Índia, Israel, Turquia, Rússia e países do Golfo.Mas estamos interessados em diversificar ainda mais esse fluxo turístico.E, naturalmente, o acordo de conectividade aérea também pode trazer benefícios para o Brasil, inclusive no turismo de negócios.Rashad Novruz — Em relação ao comércio, começamos também a trabalhar com as regiões.Estamos buscando cooperação não apenas com grandes empresas, instituições e interlocutores do governo federal brasileiro, mas também com os estados.Diplomacia e Embaixadas — Como Minas Gerais e São Paulo?Rashad Novruz — Sim. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná são estados economicamente importantes.Mas também existem estados economicamente dinâmicos e interessantes em determinados setores, como Sergipe e Espírito Santo.Eles possuem instituições com potencial interessante para cooperação, como agências de promoção de investimentos e federações e associações empresariais.Portanto, estamos analisando não apenas o comércio com o Brasil em nível federal e nacional, mas também as oportunidades nos estados e as possibilidades de investimento.Minas Gerais, por exemplo, é muito rica não apenas no agronegócio, mas também em outras áreas.Diplomacia e Embaixadas — Também possui indústria.Rashad Novruz — Indústria, manufatura e mineração.Outros estados brasileiros, inclusive alguns menores, possuem acesso imediato à costa atlântica e boa infraestrutura de terminais e portos, o que representa oportunidades para negócios voltados à importação e à exportação.Estamos analisando uma grande variedade de oportunidades.Rashad Novruz — O Brasil atualmente apresenta potencial para receber investimentos.Por isso, um dos primeiros elementos foi nossa proposta ao governo federal brasileiro para a assinatura de um acordo bilateral de investimentos, que continua em discussão e análise.Estamos, por assim dizer, gentilmente lembrando que quanto antes assinarmos, melhor, porque isso poderá abrir um novo e interessante campo de parceria bilateral em investimentos.Investimentos no Brasil significam empregos, desenvolvimento regional e fortalecimento do ambiente de negócios e investimentos do país.Isso também pode atrair maior atenção de empresas não apenas do Azerbaijão, mas da nossa região.Diplomacia e Embaixadas — Muito obrigada pela entrevista. Preciso dizer que o Azerbaijão é um país muito importante para mim. É um país muito querido. Já estive lá algumas vezes. É uma amizade que desejo manter para sempre. Por isso, conversar com o senhor é um prazer. Muito obrigada.Fique por dentro das principais notícias que movimentam a Diplomacia e Embaixadas. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp







