Mirelle Pinheiro

Jonas Eros de Almeida foi preso em flagrante com o montante em sua residência. Ele é cunhado de Jardel Rodrigues da Silva

Giovanna Sfalsin, Mirelle Pinheiro

18/09/2026 15:29

PF/Divulgação

Preso em flagrante após a Polícia Federal (PF) encontrar R$ 1,2 milhão em espécie escondidos em duas malas, Jonas Eros de Almeida da Silva é cunhado do presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), Jardel Rodrigues da Silva. Segundo a investigação, Jonas teria atuado como “interposta pessoa”, também chamada de “testa de ferro” ou “laranja”, para ocultar o patrimônio e vantagens supostamente obtidos por Jardel em um esquema de desvios de recursos públicos.

De acordo com documentos obtidos pela coluna, ele foi colocado como sócio-administrador formal da JSX Consultoria, Empreendimentos, Investimentos e Participações Ltda., conhecida como JSX Participações, aos 22 anos.

A empresa foi criada com capital social de R$ 500 mil. Conforme a investigação, o objetivo era ocultar patrimônio e vantagens supostamente obtidas com os crimes.
No entanto, em 3 de março deste ano, Jonas deixou formalmente o quadro societário da empresa. A PF chama atenção para o fato de a alteração ter ocorrido um dia depois da conclusão da primeira análise de inteligência policial sobre o caso, registrada em 2 de março.
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Ao todo, foi encontrado R$ 1, 2 milhão
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O dinheiro estava separado em pilhas
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Malas foram encontradas na casa de um investigado
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Para os investigadores, a mudança societária teria relação com uma tentativa de dissimulação patrimonial e obstrução de provas.
Em nota, o advogado Clodomir Araújo Júnior, que representa a defesa de Eros, informou à coluna que o investigado nega veementemente todas as imputações. “De fato, é cunhado do senhor Jardel Silva. No entanto, não é e tampouco nunca foi seu testa de ferro.”
Jonas passou por audiência nessa quinta-feira (17/9) e teve a prisão preventiva revogada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). O advogado afirmou que, durante o depoimento, o investigado se manteve em silêncio quando questionado sobre os valores encontrados em sua residência.
“Durante o decorrer das investigações, ele espera que tudo possa ser esclarecido. Tão logo tenhamos acesso a todo o material da investigação, ele apresentará os esclarecimentos necessários”, disse.
Malas
As duas malas com dinheiro foram encontradas durante a Operação Sonar, deflagrada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) em Belém (PA), contra um esquema investigado por desvio de recursos públicos, cobrança de vantagem indevida de fornecedores, direcionamento de contratações e lavagem de capitais.
Jonas foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro, na modalidade de ocultação de valores, após os investigadores encontrarem a quantia em espécie. Segundo a investigação, ele não apresentou comprovação da origem lícita do dinheiro.
Também foram apreendidos joias, veículos, documentos, dispositivos eletrônicos e mídias de armazenamento. O material será submetido à perícia e os bens permanecem à disposição da Justiça Federal.
Durante a ação, 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará, foram cumpridos em endereços residenciais, empresariais e institucionais.
A Justiça também determinou o afastamento de 12 servidores de suas funções, com proibição de acesso às dependências e aos sistemas da empresa e de contato com os demais investigados e fornecedores.
Além do bloqueio de R$ 17 milhões em bens e valores, o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 35 investigados e a suspensão de contratos e cessões de uso vinculados às empresas investigadas.
Segundo a apuração, há indícios de que faturas referentes a serviços já prestados eram retidas e que fornecedores eram pressionados a pagar comissões em dinheiro para receber os valores devidos.
Os investigadores também apuram o direcionamento de contratações por meio da criação artificial de situações emergenciais, além da utilização de empresas sem estrutura operacional e de pessoas interpostas para ocultar e dissimular valores.
São investigados crimes de organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, crimes em licitações e contratos administrativos, falsidade ideológica e lavagem de capitais.

