São Paulo, BrasilO que começou constrangedor terminou assustador.Mal o Corinthians pisou no gramado da Neo Química Arena, torcedores organizados viraram as costas para os jogadores. E começaram o coro:“Vergonhaaaaa, time sem vergonhaaaa...”Ao final da partida, com vitória do Fluminense por 3 a 1, a sexta derrota seguida no Brasileiro, a revolta dominou o estádio. Com muitas vaias e palavrões ao time e a Fernando Diniz. No setor Norte, das organizas, torcedores começaram a forçar as grades que separam as arquibancadas do gramado. Policiais tiveram de se mobilizar para evitar a invasão. E passaram a dar fortes golpes de cassetetes nos que estavam forçando as grades.Enquanto isso, o executivo Marcelo Paz consultava o presidente Osmar Stabile. Eliminação da Libertadores, com derrota em Itaquera para o Estudiantes, e sexto fracasso seguido no Brasileiro, formavam uma combinação explosiva demais.O executivo queria saber se Stabile queria trocar de técnico. Mandar embora Fernando Diniz.Paz já havia se encontrado com os jogadores no vestiário. Os mais vividos, os líderes do elenco, se anteciparam e pediram a permanência de Diniz.Stabile e Paz avaliaram se demitir Diniz seria a melhor solução.E o executivo anunciou aos jornalistas, em coletiva.“Decidimos permanecer com o trabalho. A decisão é pela continuidade. Decisão esta validada pelos jogadores. Os jogadores nos procuraram voluntariamente para dizer que vamos sair juntos dessa. “Os jogadores confiam no trabalho. É seguir trabalhando. É importante ter essa transparência e clareza. “Podem gostar ou não, mas queria eliminar qualquer possibilidade de especulação.”Na prática, o que Fernando Diniz ganhou foi um voto de confiança. Ele terá 17 dias para resolver os graves problemas do time, na extensa Data Fifa deste mês.E se não houver resultados positivos, dia 7 de outubro, contra o Internacional, em Porto Alegre, e dia 11, contra o Palmeiras, no Nubank Parque, a sua demissão pode se concretizar.Outra vez o Corinthians foi um time espaçado, confuso, sem criatividade, afobado e dando espaço demais aos contragolpes. Perdeu por toda a justiça para a equipe carioca, para desespero e revolta dos seus torcedores.“Eu acho que nesse recorte de 40 dias é o pior trabalho da minha carreira”, assumiu Fernando Diniz, diante da tensa entrevista coletiva, após mais essa derrota.Neste período, o Corinthians foi eliminado da Copa do Brasil, da Libertadores e amarga a 14ª colocação no Brasileiro, a 28 pontos do primeiro colocado, o Flamengo. E a três do Grêmio, 17º colocado, na zona do rebaixamento.Apesar de o time ter jogado muito mal, Diniz insistia que o Corinthians foi até melhor que o Fluminense. Afirmação que chocou os jornalistas que estavam na sua entrevista coletiva.“Achei que jogamos melhor que o Fluminense, inclusive no primeiro tempo. A primeira chegada do Fluminense foi uma bola atravessada, que acabamos tomando o gol. Depois tivemos um pênalti claro não marcado. “E no segundo tempo... Um segundo tempo muito bom, até tomar o segundo gol. Até depois do segundo gol a gente continuou bem, mas o segundo gol deu uma mexida grande com a gente Poderíamos ter virado, mas acabamos tomando o segundo.”O treinador, que é formado em Psicologia, estava extremamente abatido na entrevista. E assumindo não entender o que está acontecendo com o Corinthians.“Triste é pouco para o que eu (sentindo) estou aqui. Todo mundo sabe a vontade que eu tinha de estar aqui. “Eu tenho uma tristeza e uma revolta muito profunda, sem entender o porque de a gente ter sete derrotas consecutivas. Pra mim pesa muito.“Tem a tristeza, mas não posso chegar aqui e piorar o ambiente. Estou frustrado e triste, talvez muito mais do que a gente pode imaginar. “É uma revolta de uma falta de conseguir entender o que está acontecendo, mas trabalhando muito para que as coisas melhorem.Os jogadores do Corinthians foram protegidos por seguranças. E não queriam falar com jornalistas, após mais esta derrota.Aliados do presidente Osmar Stabile estão muito preocupados. Porque haverá eleição no Corinthians no dia 28 de novembro. Além da dívida crescente, de cerca de R$ 2,8 bilhões, os fracassos seguidos em 2026, sem nenhum título, terá peso na escolha do presidente.E Stabile busca a reeleição.O Corinthians está mergulhado em uma enorme crise.Por enquanto, Fernando Diniz segue seu trabalho.Por enquanto...













