O Massacre de Brazo Oriental (ou o assassinato das Raparigas de Abril) foi o assassinato de três jovens mulheres em Montevideo, Uruguai, o 21 de abril de 1974, perpetrado pela ditadura civil-militar uruguaia. As vítimas foram Laura Raggio e Silvia Reis (grávida de seu primeiro filho), ambas de 19 anos, e Diana Maidanik, de 22 anos. As vítimas eram membros dos Tupamaros, um grupo guerrilheiro urbano marxista-leninista.

Os factos O exército realizou uma redada num apartamento no bairro Brazo Oriental en Montevideo, onde achavam que se escondia um militante dos Tupamaros. A redada resultou num tiroteio que durou várias horas e matou às três mulheres. O exército da ditadura afirmou que as mulheres estavam armadas e tinham disparado primeiro, mas esta versão dos factos tem sido questionada. O massacre conheceu-se como «As Raparigas de Abril» e foi um dos episódios mais brutais de violência estatal durante a ditadura no Uruguai.

Condenação ao Estado uruguaio e reconhecimento Em dezembro de 2021, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou ao Estado uruguaio a reconhecer sua responsabilidade pelo massacre e também pelos desaparecimentos de Luis Eduardo González e Óscar Tassino. Na sentença, os membros da Corte entenderam que existiu responsabilidade do Estado na violação dos direitos ao reconhecimento da personalidade jurídica, à vida, à integridade pessoal e à liberdade pessoal, e omissões pela falta de investigação dos casos.

O 15 de junho de 2023, em acto realizado no Salão dos Passos Perdidos do Palácio Legislativo do Uruguai, a videpresidenta da República do momento, Beatriz Argimón, declarou o compromisso do Estado de cumprir com a sentença e achar as vítimas desaparecidas, e também pesquisar, sancionar e consertar as violações aos direitos humanos cometidas no massacre.

Homenagens Em vários anos no Uruguai o 21 de abril realizaram-se homenagens Ás Raparigas de Abril. Instalaram-se marcas da memória e placas alusivas em frente à moradia onde se perpetrou o massacre.

Referências