Durante entrevista, presidente também defendeu mudanças na escolha de ministros do Supremo e afirmou que denúncias devem ser apuradas

27 set 2026 - 21h28

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- Por: Redação Terra

Lula durante entrevista ao programa Canal Livre, da BandNews TV, exibida neste domingo, 27

Foto: Reprodução/YouTube/Canal Livre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou se comprometer com a indicação de uma mulher para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja reeleito. Em entrevista ao programa Canal Livre, da BandNews TV, exibida neste domingo, 27, o petista afirmou que a escolha deve considerar a qualificação dos candidatos e as necessidades da Corte.

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Questionado se garantiria a indicação de uma mulher, Lula respondeu: "Olha, isso não se resolve assim." Em seguida, defendeu que a composição do governo e das instituições não seja definida exclusivamente por critérios de gênero ou raça.

"A gente não governa, repartindo o governo em um tanto de mulher, um tanto de homem, um tanto de negro, um tanto de branco, um tanto de estrangeiro, um tanto de brasileiro. Na hora que você tiver que montar o governo, você vai montar o governo com um conjunto de pessoas que podem atender as necessidades que você tem para cada área", afirmou.

Apesar de não assumir o compromisso, Lula disse defender maior participação feminina na política e disse que já indicou duas mulheres para o STF. "No Supremo, a gente indica de acordo com a necessidade e a qualidade das pessoas. Ou seja, se tiver mulher, em condições de assumir, vai assumir, eu já indiquei duas. Não tem nenhum problema de indicar a mulher".

Lula afirma querer mudar critérios para escolha no STF

Ao falar sobre a Corte, Lula também defendeu mudanças no processo de escolha dos ministros. Segundo o presidente, a indicação não deveria depender exclusivamente do chefe do Executivo e deveria contar com a participação de diferentes setores da sociedade.

"Eu quero mudar o critério de escolha, porque o critério de escolha é muito vulnerável", afirmou. Lula sugeriu a criação de um conselho ou comissão formada por representantes de entidades da sociedade civil para avaliar os nomes antes do envio ao Senado.
O presidente também defendeu a apuração de denúncias envolvendo ministros do STF. "Eu acho que todo mundo que tá envolvido tem que ser apurado, todo mundo. Não tem como não apurar." Segundo Lula, eventuais irregularidades devem ser investigadas independentemente de quem esteja envolvido.
Crítica à TV Justiça
Na entrevista, Lula ainda criticou a exposição dos ministros do Supremo e defendeu que eles se manifestem principalmente nos processos. Para o presidente, a transmissão das sessões da Corte contribui para expor conflitos internos.
"Aqui no Brasil, depois que criaram essa maldita televisão [TV Justiça], é ruim até para a sociedade ficar vendo as brigas, as coisas de baixo nível que acontece ali na Suprema Corte", afirmou. Lula disse ainda que, na avaliação dele, os ministros deveriam falar nos autos dos processos e nas decisões judiciais, e não conceder tantas entrevistas.
Presidente defende fim das bets
Outro tema abordado durante a entrevista foi a proibição das apostas esportivas. Exaltado ao falar sobre o assunto, Lula voltou a defender a medida provisória que proibiu as bets e afirmou que não permitirá que o dinheiro destinado ao consumo das famílias seja gasto em apostas.
"Não vai acontecer, eu não vou permitir que as mulheres e os homens gastem o dinheiro da comida das crianças jogando porque é uma doença provada pelo Ministério da Saúde", disse.
O presidente também criticou a dependência financeira dos clubes de futebol em relação às plataformas de apostas. Segundo Lula, o futebol brasileiro já teve grandes conquistas sem o financiamento das bets.
"Eu resolvi acabar com as bets porque senão as bets acabariam com o Brasil e eu não vou permitir que o povo pobre seja responsável de segurar a luxúria dos clubes", afirmou.
Outros temas polêmicos também foram levantados durante a entrevista. Lula se exaltou em alguns momentos e chegou a bater a mão sobre a mesa ao responder a determinadas perguntas.
Entre os assuntos abordados estavam as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Lulinha é investigado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência em uma apuração que envolve a lobista Roberta Luchsinger, ligada ao caso do chamado "Careca do INSS". Já Marcola admitiu ter recebido dinheiro de Luchsinger e afirmou que o valor foi um empréstimo pessoal.
Questionado sobre os dois casos, Lula afirmou acreditar na inocência do filho e do ex-assessor, mas defendeu que ambos sejam investigados. "Eu acho que o Marcola é 100% inocente. Acho que meu filho é inocente. Agora, eles não estão livres da investigação. Eles sabem a verdade", declarou.
Fonte: Portal Terra
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