Bancar uma campanha eleitoral não é barato. Por isso, além dos recursos de seus partidos, muitos candidatos contam com doações de apoiadores, muitas vezes em quantias consideráveis. Entre os candidatos ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026, os doadores têm perfis diversos: oficiais de cartórios de registro de imóveis, empresários, herdeiros de famílias tradicionais, integrantes do mercado financeiro, políticos e assessores parlamentares são alguns dos perfis mais comuns.Levantamento feito pelo Metrópoles a partir das prestações de contas eleitorais analisou as doações de pelo menos R$ 1 mil recebidas pelas campanhas de Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).Os quatro aparecem na ponta da disputa pelas duas vagas paulistas — pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24/9) registrou Marina com 15%, Tebet com 14% e André e Derrite com 12% cada, todos tecnicamente empatados considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.Apesar da proximidade nas pesquisas, o perfil dos financiadores das quatro campanhas é bastante diferente.Entre os doadores de Derrite, chama atenção a presença de oficiais de cartórios de registro de imóveis de diferentes cidades paulistas. Marina recebeu algumas das maiores contribuições individuais de empresários e integrantes de famílias tradicionais do setor financeiro. Já a lista de André do Prado é marcada por funcionários de seu próprio gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).Tebet, por sua vez, tem uma lista mais enxuta de doadores com contribuições acima de R$ 1 mil no material analisado — excluindo a direção do PSB, são apenas três, em comparação com os cerca de 60 de Derrite e de Marina.4 imagensFechar modal.1 de 4Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo2 de 4Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São PauloFábio Vieira/Metrópoles3 de 4Guilherme Derrite (PP), deputado federal e candidato ao Senado por São PauloRebeca Ligabue/Metrópoles4 de 4André do Prado (PL), candidato ao Senado por São PauloDivulgação/AlespDerrite, rei dos cartóriosAo menos 27 oficiais ligados a registros de imóveis de diferentes municípios de São Paulo aparecem entre os doadores de Derrite considerados no levantamento. Juntos, eles destinaram cerca de R$ 700 mil à candidatura.As duas maiores contribuições desse grupo também estão entre as maiores doações individuais recebidas pelo candidato: Vanda Maria de Oliveira Pena Antunes da Cruz, oficial do 16º Registro de Imóveis da capital, transferiu R$ 150 mil. Já Rosvaldo Cassaro, do 15º Registro de Imóveis da capital, doou R$ 130 mil.Há ainda doações de R$ 100 mil feitas por Caleb Matheus Ribeiro de Miranda, oficial de Registro de Imóveis de São Vicente, e Joelcio Escobar, oficial do 8º Registro de Imóveis de São Paulo.A relação se estende pelo interior paulista. Há oficiais de registros de imóveis de cidades como Ribeirão Preto, Marília, Atibaia, Assis, Lorena, Itapetininga, Tatuí, Fernandópolis, Brodowski, Piracaia, Presidente Prudente, Ipaussu, Presidente Venceslau, Santa Rita do Passa Quatro, Apiaí, Cravinhos, São Joaquim da Barra, Penápolis, Taquaritinga, Cosmópolis, Angatuba e Patrocínio Paulista.Derrite também recebeu recursos de nomes ligados a grandes grupos empresariais. Alexandre Jereissati Legey e Carlos Jereissati, integrantes da família do ex-governador e ex-senador cearense Tasso Jereissati, doaram R$ 100 mil cada. Os dois têm atuação na Jereissati Participações.Também aparecem contribuições de R$ 100 mil de Victor Bassan de Almeida, da Pacaembu Construtora; Celso Renato Geraldin, da Aguassanta Participações; e R$ 50 mil de Rodrigo de Almeida Pizzinatto, executivo da Ultrapar, uma das maiores holdings do Brasil, com empresas como Ipiranga e Ultragaz em seu portfólio.Integrantes da família Balbo, ligada ao agronegócio, também fizeram uma série de contribuições. Ana Paula Balbo e Rosangela Balbo doaram R$ 29 mil cada; Julia Hoelz Balbo, R$ 28 mil; e outras seis integrantes da família aparecem com valores entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Leia também São PauloVox: Derrite, André do Prado e Marina lideram corrida ao Senado em SP São PauloDatafolha: Marina, Tebet, Derrite e André empatam em disputa para Senado Matheus LeitãoPesquisa: por que a disputa pelo Senado segue aberta em quatro estados São PauloParaná Pesquisas: Tebet, Derrite e Marina empatam para Senado em SP Marina tem campanha mais barataNa campanha de Marina Silva, a maior doação individual identificada no levantamento é de Gisela Maria Moreau, no valor de R$ 200 mil. Apesar de ser a maior doação feita por uma única pessoa dentre todos os candidatos analisados, o total líquido recebido pela campanha de Marina é o menor dos quatro: cerca de R$ 3,3 milhões, menos que a metade dos totais de Tebet, Derrite e Prado.Moreau integra a família que comandou o Banco da Bahia e já fez doações para outras candidaturas, entre elas as de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marcelo Freixo (PT) e Alessandro Molon (PSB) em 2022, além de Guilherme Boulos (PSol) e candidatos indígenas em 2024.A campanha de Marina também recebeu R$ 150 mil da escritora Beatriz Bracher, integrante da família Botelho Bracher, ligada à história do Itaú, e R$ 100 mil do cineasta Walter Moreira Salles Junior, diretor do filme Ainda Estou Aqui, que também doou R$ 100 mil para Manuela Dávila (PSol) na disputa pelo Senado no Rio Grande do Sul.Outro nome de peso é o de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista. Ele fez duas transferências à campanha de Marina que somam R$ 107,75 mil. A própria Marina colocou R$ 50 mil na campanha.Entre os demais financiadores aparecem pessoas ligadas ao mercado financeiro, à indústria e a grandes empresas. Henry Singer Gonzalez, fundador da O3 Capital, doou R$ 50 mil. Pedro Wongtschowski, liderança do setor industrial e integrante da Fiesp, destinou R$ 40 mil.A campanha também recebeu R$ 75 mil de Luciana Aparecida da Costa, diretora do BNDES, além de R$ 20 mil de Leticia Rudge Barbosa Kina, integrante de comitê do Conselho de Administração da Ambev.Além das contribuições individuais, Marina recebeu cerca de R$ 174 mil provenientes de financiamento coletivo.Haddad também doa para TebetFernando Haddad também aparece entre os financiadores da campanha de Simone Tebet. Foram três transferências, de R$ 20 mil, R$ 30 mil e R$ 50 mil, totalizando R$ 100 mil.Outro doador é o ex-deputado federal Vicente Candido, que transferiu R$ 73 mil para Tebet. Ele também aparece na relação de Marina, para quem destinou R$ 4 mil.A terceira contribuição acima de R$ 1 mil identificada na lista analisada é de Teresa Cristina Ribeiro Ralston Botelho Bracher, produtora rural integrante da família Botelho Bracher. Ela doou R$ 50 mil à candidatura de Tebet.Assessores financiam André do PradoO perfil é diferente na campanha de André do Prado. Dos 16 nomes com contribuições de pelo menos R$ 1 mil relacionados no levantamento, 14 são identificados como assessores, assistentes ou secretários parlamentares ligados ao próprio candidato.André fez a maior contribuição da lista para a própria campanha: R$ 50 mil. O advogado Carlos Eduardo Gomes Callado Moraes aparece em seguida, com R$ 10 mil.Depois deles, há uma sequência de funcionários e ex-funcionários ligados ao parlamentar.Felipe de Oliveira Ichigi e Ivan Perez Civolani, identificados como assistentes parlamentares, doaram R$ 3 mil cada. O mesmo valor foi transferido por José Carlos Manoel da Silva, Marcelo Cardoso Clemente, Marcos Vinicius Vieira Arruda, Paulo Silva de Oliveira, Thiago Franco Sant Anna, Tiago Magno de Oliveira e Vinicius Francesconi.Outros cinco funcionários — Camila Brandi Couto dos Santos, Flavia Veingertner Staub, Gustavo Auricchio Ferrari Rego Barros, Katia Bellanti Benvenuti e Regina dos Santos Diniz — aparecem com doações de R$ 2 mil cada.Somadas, as contribuições dos 14 assessores e assistentes relacionados no levantamento chegam a R$ 37 mil.














