Manoela Alcântara

Entre Investimentos alegou ter dívidas que podem superar R$ 13 milhões e pediu autorização para vender dois direitos creditórios

Pablo Giovanni
27/09/2026 04:00
Michael Melo/Metrópoles
A Entre Investimentos, empresa controlada pelo delator Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, tentou obter autorização para vender precatórios adquiridos do Banco Master.
A instituição de Mineiro recebeu a transferência do Master de R$ 1,44 bilhão em créditos um mês antes de o banco, do empresário Daniel Vorcaro, ser liquidado, em novembro do ano passado.
Em pedido sigiloso apresentado à Justiça Federal nesta semana, a Entre alegou que precisava vender a terceiros dois direitos creditórios para quitar obrigações trabalhistas, tributárias, aluguéis e dívidas com fornecedores e prestadores de serviços.
A empresa afirmou que as obrigações vencidas já superam R$ 7 milhões e podem ultrapassar R$ 13 milhões, caso os ativos permaneçam indisponíveis.
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Os bens da Entre estão indisponíveis desde março deste ano. A medida foi adotada porque a empresa é controladora indireta de instituições do Grupo Entre que foram submetidas à liquidação extrajudicial.
A empresa do delator já havia recorrido ao Banco Central para obter a liberação parcial dos bens, mas a autarquia negou o pedido e entendeu que uma eventual retirada de ativos depende do avanço das apurações no processo de liquidação.
O pedido acabou barrado pelo juiz Maurilio Freitas Maia de Queiroz, da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo.
Para o juiz, ainda há necessidade de apuração sobre a relação da Entre com o Master e sobre uma possível “confusão, ocultação e dilapidação patrimonial” no conglomerado de empresas.
Ele também considerou que a venda dos ativos poderia produzir efeitos de difícil reversão caso, posteriormente, fosse considerada legítima a manutenção da indisponibilidade.
Precatórios
Os contratos para a transferência dos precatórios do Banco Master à Entre Investimentos foram assinados entre 7 e 9 de outubro de 2025, pouco mais de um mês antes da liquidação da instituição pelo BC.
A liquidante do Master acredita que a operação pode ter integrado um mecanismo de circulação e ocultação patrimonial em benefício de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
Relator do caso Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou a delação de Mineiro em 9 de setembro.
A Entre também aparece nas investigações da Polícia Federal como responsável por repasses determinados por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos usado no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).


