Um pedaço de plástico pode se transformar em um biscoito. Sim, a frase não está errada e foi o que cientistas internacionais fizeram em uma nova descoberta. A partir da engenharia genética de leveduras, eles conseguiram desenvolver um sistema capaz de modificar compostos plásticos e resíduos agrícolas em proteínas, vitaminas, aromatizantes e outros ingredientes comestíveis.A inovação, desenvolvida pela Southern Illinois University Carbondale (SIU), nos Estados Unidos, pode facilitar a chegada de alimentos a locais com recursos limitados. Outra aplicação possível é em missões tripuladas ao espaço, onde a disponibilidade de comida também é mais escassa. Leia também SaúdeExposição a substância do plástico na gestação é associada a autismo e TDAH SaúdePrato coreano tem bactéria que pode eliminar nanoplásticos no intestino SaúdeEvitar contato de plástico com alimentos reduz químicos no corpo em 7 dias SaúdeMicroplásticos são mais frequentes em pulmões de pacientes com câncer Além da universidade norte-americana, a Nasa participou da pesquisa. Os resultados das primeiras avaliações da nova técnica foram apresentados na reunião de outono da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla em inglês) em agosto.Como o plástico se transforma em biscoito?Para desenvolver a técnica, os cientistas levaram em consideração dois problemas que assolam o mundo atualmente: a poluição por plástico e a insegurança alimentar. Em seguida, sabendo que o uso de microrganismos para produzir substâncias úteis já é algo bem estabelecido, eles resolveram aplicar engenharia genética em leveduras.Para o processo funcionar, inicialmente os resíduos precisam ser quebrados em pedaços menores, utilizando-se água e oxigênio sob alta temperatura e pressão. Dessa forma, a ação dos microrganismos é facilitada. Por fim, as leveduras transformam os materiais em compostos alimentares, incluindo proteínas, gorduras e ácidos.Segundo os pesquisadores, as leveduras foram modificadas geneticamente para converter esses resíduos em ingredientes culinários.“Os micróbios são muito inteligentes. Portanto, estamos usando suas características para resolver os problemas que criamos”, afirma Lahiru Jayakody, um dos professores envolvidos no projeto, em comunicado.Mas e cadê o biscoito?O processo descrito é somente a primeira etapa. Após a obtenção dos compostos alimentares, eles são misturados com fibras, amido e adoçante. O resultado vai para uma impressora 3D capaz de criar os biscoitos, apelidados de microbites (ou µBites).Até o momento, as evidências apontam que o consumo dos microbites é seguro. No entanto, ainda não foram realizados testes de degustação formais, pois os pesquisadores aguardam autorização. Caso o consumo do alimento seja aprovado, a expectativa é que ele ajude a mitigar a insegurança alimentar no mundo.“A demanda global por alimentos deverá aumentar entre 35% e 56% até 2050, e cerca de 30% da população mundial estará em risco de passar fome no futuro. Acredito que a solução para esse problema seja o uso de microrganismos”, conclui Jayakody.







