O cerco de Córdova em maio de 1146 foi conduzido por Afonso VII de Leão e Castela contra a cidade de Córdova, então sob controle do Império Almorávida. A operação resultou na ocupação cristã da cidade e na imposição de vassalagem ao governador almorávida do Alandalus, Ibne Gania.
Contexto Aproveitando o enfraquecimento almorávida, então envolvida em conflitos no Norte de África contra os almóadas, diversos territórios muçulmanos da Península Ibérica rebelaram-se e buscaram autonomia, inaugurando o período das segundas taifas. Entre os principais focos de rebelião estavam o Garbe Alandalus, liderado por Ibne Caci, e Córdova, sob comando de Ibne Hamedine. No oriente andalusino, o movimento foi associado a Zafadola, filho do último emir húdida de Saragoça, que chegou a entrar ao serviço de Afonso VII. Apesar da dependência cristã, Zafadola mantinha prestígio entre os andalusinos por sua ligação com a dinastia húdida. Nesse cenário de fragmentação política, Iáia ibne Gania assumia o comando das forças almorávidas em al-Andalus. Em fevereiro de 1146, o governador de Córdova, Ibne Hamedine, foi expulso da cidade por Ibne Gania. Refugiou-se inicialmente em Badajoz e depois em Andújar, onde acabou cercado pelas forças almorávidas. Solicitou auxílio a Afonso VII, que respondeu com uma campanha militar na primavera do mesmo ano, obrigando Ibne Gania a levantar o cerco e libertando Ibne Hamedine. Em seguida, o rei cristão decidiu avançar sobre Córdova.
Cerco Ibne Gania retirou-se para Córdova e, em maio de 1146, Afonso VII iniciou o cerco da cidade. O rei conseguiu entrar na cidade em 24 de maio, mas as forças almorávidas permaneceram na cidadela, obrigando à continuação do cerco interno. Afonso acabou por negociar com Ibne Gania, possivelmente devido à insuficiência de forças para enfrentar uma eventual reação almóada recém-desembarcada em Cádis. O acordo resultou na retirada cristã em troca da aceitação de vassalagem por parte de Ibne Gania. Durante a ocupação temporária, Afonso VII converteu a Mesquita de Córdova em igreja e mandou instalar uma cruz no topo do edifício, assistindo posteriormente a uma missa celebrada pelo bispo de Toledo.
Consequências Apesar do acordo de vassalagem, Ibne Gania rompeu rapidamente a submissão e retornou à lealdade almorávida. No mesmo ano, os almóadas conquistaram Niebla, Mértola, Silves e o Algarve. O poder almorávida entrou em colapso definitivo em 1147, sendo absorvido pelos almóadas, embora algumas taifas, como Múrcia e Valência, tenham resistido até o século XII tardio.
Referências
Bibliografia

