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Jaques Wagner, Hugo Motta e Mário Frias são reeleitos; Alcolumbre é confrontado com derrota de aliados, enquanto Ciro Nogueira perde cargo de senador
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De Ciro Nogueira a Jaques Wagner, alvos tentam rotular caso Master de nova ‘Lava-Jato’ — Foto: Brenno Carvalho e Cristiano Mariz/Agência O Globo
A investigação do maior esquema de fraude do sistema bancário nacional atingiu lideranças de diferentes matizes políticos, mas o resultado do primeiro turno mostrou que mesmo candidatos tragados pelo escândalo do Banco Master conseguiram sobreviver ao julgamento das urnas, pelo menos por enquanto. Dos principais atingidos, apenas o senador Ciro Nogueira, do Progressistas do Piauí, não foi reeleito e ficou pela primeira vez sem mandato desde 1994.
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O ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), citados nas investigações do Master e seus desdobramentos (caso Dark Horse), conseguiram se reeleger. Já o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, ganhou um mandato na Câmara dos Deputados para representar o Rio, ao conquistar 155,8 mil votos.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), por apenas 168 votos não garantiu já a permanência no Palácio do Buriti por mais quatro anos, enquanto tenta resolver a situação das contas públicas e garantir a sobrevivência do Banco de Brasília após a desastrosa operação de R$ 12 bilhões com o Master, articulada pelo seu antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), e barrada pelo Banco Central.
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Celina obteve 49,93% dos votos válidos no primeiro turno e enfrenta no próximo dia 25 o ex-presidente do Iphan Leandro Grass (PT), que obteve 34,47%.
Dark Horse
Já o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, alvo de um inquérito aberto em julho pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para apurar o nebuloso financiamento de “Dark Horse”, a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, vai disputar o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Flávio surpreendeu a campanha petista ao terminar o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do presidente, com uma vantagem de 2,23 milhões de votos, o equivalente à população de Fortaleza.
“Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro após o site Intercept Brasil publicar mensagens do senador cobrando dinheiro de Vorcaro, supostamente para o financiamento da produção. Depois disso, Flávio prometeu apresentar em detalhes as contas do filme, mas depois mudou o discurso, tentou se desvencilhar do caso e vem alegando que o assunto é “página virada”.
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Reeleito com 91,3 mil votos, Mário Frias também é alvo do inquérito por ter atuado nos bastidores nas tratativas de financiamento da produção. Uma das linhas de investigação da PF é verificar se os repasses também não serviram para financiar o autoexílio do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Taylor Swift, viagens e apartamento de luxo
Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho, após vir à tona que ele esteve envolvido na negociação de um apartamento de luxo bancado pelo Master, avaliado em R$ 2,45 milhões, que prosseguiu mesmo após a primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.
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A Polícia Federal ainda descobriu que o empresário Augusto Lima, então sócio de Vorcaro no Master, bancou dois shows da artista americana Taylor Swift para as filhas e uma neta de Jaques Wagner, nos Estados Unidos e em São Paulo no ano de 2023.
O caixa do Master também bancou despesas para o presidente da Câmara dos Deputados, reeleito neste domingo com mais de 124 mil votos.
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Em junho deste ano, a PF apontou que o banqueiro custeou estadias para Motta durante uma viagem para Lisboa, em 2024. À época, o presidente da Câmara afirmou “não ver problemas” no pagamento das diárias, já que se tratava de um evento “corporativo e jurídico”. Conforme mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que o dono do Master se definia como “o número 1” de Hugo Motta, a quem chamava de “irmão”.
No caso de Antonio Rueda, o GLOBO revelou registros de pagamento ao dirigente do União Brasil de R$ 1 milhão em 2025 e R$ 1,1 milhão em 2024. Rueda admitiu a prestação de serviços de advocacia ao conglomerado Master, citando a elaboração de pareceres e participação em reuniões, e classificando o trabalho como “atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país”.
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Diálogos extraídos de Vorcaro também mostram que ele colocou uma aeronave à disposição de Rueda para que pudesse utilizar quando quisesse.
Governadora quase reeleita
Amiga da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Celina Leão sobreviveu ao escândalo do Master e por pouco não conseguiu se reeleger já no primeiro turno, surfando no antipetismo da capital federal, um dos principais redutos bolsonaristas do país.
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A gestão do seu antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, articulou a compra do Master pelo BRB, um negócio que, segundo os investigadores, só ocorreu por “pura camaradagem”. Ibaneis desistiu de disputar um vaga no Senado. Já Celina tentou se dissociar do escândalo, enquanto tenta garantir a sobrevivência do BRB.
Na época em que a operação foi anunciada, Celina disse que não tinha sido consultada sobre o negócio e que só ficou sabendo dos fatos “pela imprensa”. Mas mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que o banqueiro afirmou que a governadora reeleita teria participado das tratativas, conforme informou o jornal “Folha de S. Paulo”.
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“[Celina] Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política”, escreveu Vorcaro ao publicitário Thiago Miranda. Celina insiste que não tinha conhecimento da operação.
Ciro Nogueira fica sem mandato
Mas nem todos os políticos enredados na teia do Master escaparam do escrutínio das urnas.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não disputou estas eleições, mas viu seu grupo político ser derrotado e foi confrontado com a vitória do ex-prefeito de Macapá e agora governador eleito Antonio Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), seu arquirrival político.
As investigações da PF avançaram sobre um apadrinhado do senador que orquestrou o investimento de R$ 400 milhões do fundo de previdência do Amapá, a Amprev, em letras financeiras do Master.
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O ex-prefeito de Salvador ACM Neto também saiu derrotado das urnas, ao obter 43,72% na disputa pelo governo da Bahia, ante 55,80% de Jerônimo Rodrigues (PT). Uma empresa de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central. Quando o caso veio à tona, ele confirmou que recebeu os pagamentos e disse que os valores eram referentes a serviços de consultoria.
Outro derrotado foi o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), não conseguiu renovar o mandato e ficará sem cargo pela primeira vez desde 1994. Ciro terminou a disputa pelo Senado em terceiro lugar, com 903,4 mil votos, o equivalente a 24,68% dos votos válidos.
Uma das principais lideranças do Centrão, grupo fisiológico que dá as cartas no Congresso, Ciro atuou a favor dos interesses do Master no Senado e operou nos bastidores contra a instalação de uma CPI contra Vorcaro, enquanto teve viagens a Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel bancadas pelo banqueiro.
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Em Nova Iorque, em maio de 2024, os investigadores identificaram o pagamento de seis diárias no Hotel Park Hyatt New York, entre 12 e 18 de maio de 2024, totalizando US$ 47.779,80 (o equivalente a R$ 245.153,37 na cotação de câmbio da época).
Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” do dono do Master, recebendo propina em forma de mesada, além de ajuda financeira do banqueiro com despesas em viagens internacionais, como hotéis de luxo, voos privados e contas de restaurante.
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Em troca, o presidente do Progressistas recebia propina para apresentar propostas legislativas de interesses de Vorcaro, como o texto que ficou conhecido na Faria Lima como a “emenda Master”, aumentando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Como se viu na apuração deste domingo, o engajamento de Ciro na defesa dos interesses de Vorcaro cobrou seu preço.
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