A Casa da Cidade é um edifício histórico do município de Varginha, Minas Gerais, construído em 1882.

Histórico Segundo prédio erguido na cidade, com dois pavimentos, sua construção data de 1882; originalmente serviu como residência do major Matheus Tavares da Silva, grande senhor de terras da região e primeiro presidente (prefeito) da Câmara Municipal. Com a morte do proprietário, o imóvel foi vendido ao empresário Roque Rotundo, líder da colônia italiana, que ali instalou uma loja de tecidos no térreo e passou a residir no andar superior. O empreendimento funcionou naquele endereço até meados da década de 1960, quando se transferiu para outro imóvel. Com a morte da viúva de Roque Rotundo, o edifício foi adquirido pela Cooperativa dos Cafeicultores, e com a saída desta, no início da década de 1990 o imóvel entrou em decadência e começou a ruir. Foi feito então um esforço para recuperar a estrutura, que finalmente foi entregue à cidade em 1996. Para evitar que sofresse novo ciclo de abandono, a prefeitura sugeriu que o imóvel fosse utilizado como Câmara Municipal, o que foi acatado pelos vereadores.

Características A Casa da Cidade é uma construção em estilo eclético, mesclando neoclássico, colonial e art-déco. Foi construída em alvenaria, com o segundo piso recebendo um soalho de tábua corrida. O telhado era de quatro águas, com telhas de barro tipo francesa. Uma sacada foi adicionada ao projeto pelo segundo residente, Roque Rotundo.

A construção e o entorno A Casa da Cidade foi o segundo prédio erguido em Varginha, levantado em 1882 — ano da emancipação do município — por iniciativa do major Matheus Tavares da Silva, um dos primeiros cafeicultores da região e primeiro presidente da Câmara Municipal. O casarão, de dois pavimentos e dotado de platibanda, foi construído na esquina da então Travessa da Estação (atual rua Presidente Álvaro Costa) com o Largo da Matriz (atual praça Governador Valadares), e a sua obra, erguida com material trazido de várias procedências, tornou-se um acontecimento acompanhado pela população. A prosperidade do café, principal fonte de riqueza local desde 1885, marcou a arquitetura da cidade; em 1892 foi criada a comarca de Varginha, à qual se somou a chegada da Estrada de Ferro Muzambinho. Os sóbrios casarões ajanelados, de grossas madeiras e pé-direito alto, refletiam a própria história regional do café.

A Casa Rotundo Após a morte de Matheus Tavares, em 1905, o casarão foi adquirido pelo empresário Roque Rotundo, líder da colônia italiana, que ali instalou uma loja de tecidos, aviamentos e perfumaria francesa no térreo e passou a residir no andar superior, ao qual mandou acrescentar uma sacada. Dessa sacada, segundo relatos da família, acompanhavam-se as procissões da Semana Santa, as comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial e os discursos políticos da cidade. Esses relatos foram preservados por José Rotundo, primo de Roque que chegou da Itália em 1933, ainda criança, e que recordava ter assistido daquele ponto aos principais acontecimentos de Varginha ao longo das décadas seguintes. A firma Rotundo & Cia. funcionou no endereço até meados da década de 1960, quando se transferiu de prédio; o imóvel foi depois adquirido pela Cooperativa dos Cafeicultores, que chegou a instalar uma bomba de gasolina em frente ao prédio para abastecer os veículos de seus associados.

Recuperação e Câmara Municipal Em 1993, após longo período de desuso, o casarão — então o mais antigo de Varginha — ameaçava ruir, o que levou a administração municipal a adquiri-lo com apoio da população. As obras de recuperação começaram em 12 de junho de 1995, baseadas em estudo da linha arquitetônica original a partir de pesquisas fotográficas e de relatos; as fachadas foram preservadas e o interior, modernizado, e o imóvel recebeu a denominação de "Casa da Cidade", sendo entregue à população em 7 de dezembro de 1996. Para evitar novo abandono, a Câmara Municipal aceitou a proposta de ali se instalar, o que ocorreu em 28 de abril de 1997, passando o edifício a sediar as reuniões dos vereadores. A intervenção, respaldada por estudos de engenheiros e decoradores, buscou preservar a memória da cidade e evitar o desaparecimento de um de seus marcos arquitetônicos.

Referências

Ligações externas «Câmara Municipal de Varginha». varginha.mg.leg.br. Consultado em 23 de maio de 2026