Campsurus evanidus, popularmente conhecida como efemérida ou siriruia, é uma espécie de efemeróptero da família dos polimitarciídeos (Polymitarcyidae) e do gênero Campsurus. Foi descrita por James G. Needham e Helen E. Murphy em 1924 a partir de exemplares coletados em Pirapora, no estado de Minas Gerais. Posteriormente, a espécie foi redescrita com base em material proveniente de diferentes países da América do Sul, ocasião em que Campsurus juradinus foi reconhecida como sua sinonímia júnior. Estudos filogenéticos indicaram que C. evanidus ocupa uma posição isolada dentro do gênero Campsurus, não integrando os grupos de espécies albifilum e major, aos quais havia sido anteriormente associada. Os adultos distinguem-se por um conjunto característico de estruturas genitais e padrões de coloração, enquanto os ovos apresentam formato ovalado, semelhante a uma tigela, e uma tampa polar extremamente reduzida. A espécie possui distribuição ampla na região centro-sul da América do Sul, com registros para Argentina, Bolívia, Brasil e Uruguai. No território brasileiro, é conhecida apenas para Minas Gerais, na sub-bacia do Alto São Francisco, associada ao domínio do Cerrado. Como outros representantes do gênero, apresenta adultos de vida muito curta e ninfas que vivem em galerias escavadas em substratos aquáticos. Apesar do conhecimento ainda limitado sobre sua biologia, tamanho populacional e tendência demográfica, não são conhecidas ameaças significativas à sua sobrevivência, motivo pelo qual foi classificada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como menos preocupante (LC).
Etimologia O nome popular efemérida foi construído com base no nome do gênero Ephemera + o sufixo -ída. Seu primeiro registro remonta o século XVII. Siriruia, ou suas formas alternativas sililuia e sirirujá, aparentemente derivavam de aleluia (do latim alleluĭa ou halleluiah) por cruzamento com siriri.
Taxonomia Campsurus evanidus é uma espécie de efemeróptero da família dos polimitarciídeos, subfamília dos campsuríneos, pertencente ao gênero Campsurus. Foi descrita por James G. Needham e Helen E. Murphy em 1924 com base em numerosos exemplares machos e fêmeas coletados em Pirapora, às margens do rio São Francisco, no estado de Minas Gerais. Estudo taxonômico publicado por Daniel Emmerich e Carlos Molineri em 2011 redescreveu a espécie com base em material procedente de diferentes países da América do Sul e reconheceu Campsurus juradinus Navás, 1930 como sinonímia júnior de Campsurus evanidus. Análise filogenética realizada por Molineri e Salles demonstrou que Campsurus evanidus não pertence ao grupo albifilum, ao qual havia sido previamente atribuída. A espécie não compartilha as sinapomorfias diagnósticas dos grupos albifilum e major, ocupando uma posição isolada na filogenia do gênero. Os autores sugeriram que C. evanidus poderia estar relacionada ao grupo segnis ou representar uma linhagem distinta dentro de Campsurus, hipótese que dependeria da inclusão de um número maior de espécies e caracteres em análises futuras.
Diagnóstico Os adultos de Campsurus evanidus distinguem-se das demais espécies do gênero pela combinação dos seguintes caracteres: margem posterior do nono esterno abdominal do macho convexa e aguda; pedestais genitais subtriangulares com projeção aguda na margem póstero-externa; pênis separados e ligeiramente divergentes distalmente, cada um formado por um grande lobo esclerosado; porte médio a grande; padrão característico de pigmentação escura na cabeça e no pronoto; padrão específico de coloração abdominal; e, nas fêmeas, presença de receptáculos pareados alongados e divergentes na margem anterior do oitavo esterno abdominal.
Morfologia A descrição original baseou-se em exemplares adultos de ambos os sexos. Os machos apresentam comprimento corporal entre oito e nove milímetros, asas medindo entre oito e nove milímetros e cercos com mais de 26 milímetros de comprimento. As fêmeas medem entre 9,5 e 10,5 milímetros de comprimento corporal e possuem asas entre dez e doze milímetros. A coloração geral é amarelo-pálida. A cabeça é predominantemente amarela, exceto pela região adjacente aos olhos compostos e ocelos, que é negra. O tórax apresenta tonalidades amareladas e castanho-claras com manchas arroxeadas discretas. O abdome é predominantemente amarelo, tornando-se progressivamente mais escuro nos segmentos posteriores, especialmente entre os segmentos VI e IX. As pernas anteriores são amareladas e aproximadamente tão longas quanto o corpo. Nos machos, o primeiro segmento da pinça genital possui forma semelhante à de um cone truncado, enquanto o segundo segmento é delgado, curvado para dentro e dilatado na extremidade, apresentando abundantes cerdas apicais. Uma redescrição posterior revelou que a espécie apresenta porte variável, com machos medindo entre 9,8 e 14,5 milímetros de comprimento corporal e fêmeas entre 11,0 e 16,8 milímetros. Os adultos possuem coloração predominantemente esbranquiçada, marcada por extensas áreas enegrecidas na cabeça, no pronoto e em partes do abdome. As asas são hialinas e os cercos dos machos podem atingir entre 27 e 34 milímetros de comprimento. A genitália masculina caracteriza-se pelo nono esterno abdominal projetado em uma ponta aguda mediana, pedestais genitais subtriangulares com projeção póstero-lateral aguda e pênis separados, ligeiramente divergentes distalmente, formados por grandes lobos esclerosados. Nas fêmeas, o oitavo esterno abdominal apresenta um par de receptáculos alongados, parcialmente fundidos e divergentes em direção à porção posterior. Os ovos são amarelo-esbranquiçados, ovalados e em forma de tigela, medindo aproximadamente 315–325 μm de comprimento por 265–270 μm de largura. Apresentam uma tampa polar extremamente reduzida, por vezes indistinguível ou ausente.
Distribuição e habitat Campsurus evanidus ocorre na região centro-sul da América do Sul. Além da localidade-tipo em Pirapora, no estado de Minas Gerais, a espécie foi posteriormente registrada na Bolívia, Argentina e Uruguai. No Brasil, permanece conhecida apenas para o estado de Minas Gerais, onde foi registrada na sub-bacia do Alto São Francisco. A espécie está associada ao domínio do Cerrado, embora informações detalhadas sobre seu habitat e história natural permaneçam escassas.
Ecologia Os representantes de Campsurus possuem capacidade de dispersão limitada. As ninfas vivem em galerias escavadas em diferentes substratos aquáticos, enquanto os adultos apresentam vida extremamente curta, frequentemente restrita a poucos minutos. Nas espécies da subfamília dos campsuríneos, os machos mantêm apenas o primeiro par de pernas funcional, utilizado durante o acasalamento, e as fêmeas apresentam capacidade de deslocamento reduzida. Essas características contribuem para o isolamento geográfico das populações e influenciam os padrões biogeográficos observados no gênero.
Conservação Campsurus evanidus foi avaliada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na categoria menos preocupante (LC), avaliação validada em 2019 e publicada em 2020. A espécie apresenta ampla distribuição geográfica na América do Sul, com registros confirmados na Argentina, Bolívia, Uruguai e Brasil. Embora o registro brasileiro mais recente conhecido remonte à década de 1920, não foram identificadas evidências de declínio populacional ou ameaças capazes de colocá-la em risco de extinção no futuro próximo. Pouco se conhece sobre o tamanho, estrutura ou tendência populacional da espécie, sendo a tendência populacional considerada desconhecida. Da mesma forma, não existem informações publicadas sobre utilização econômica, importância direta para atividades humanas ou ocorrência confirmada em unidades de conservação e outras áreas protegidas. Apesar da escassez de dados biológicos e ecológicos disponíveis, a ampla distribuição conhecida da espécie foi considerada suficiente para afastar preocupações imediatas quanto ao seu estado de conservação.
Referências
Ligações externas Documentos sobre Campsurus evanidus na Biodiversity Heritage Library