Bus Stop é uma série dramática americana com 26 episódios exibida pela ABC de 1o de outubro de 1961 a 25 de março de 1962, estrelada por Marilyn Maxwell como Grace Sherwood, uma bargirl da cidade fictícia de Sunrise, nas Montanhas Rochosas do Colorado. O programa é uma adaptação da peça Bus Stop do autor William Inge a qual, havia sido adaptada anteriormente para o cinema em 1956 com Marilyn Monroe. A série acompanhava a vida de viajantes que passavam pela rodoviária e pela lanchonete. Os colegas de elenco de Maxwell eram Richard Anderson como o promotor público Glenn Wagner, Rhodes Reason como o xerife Will Mayberry, Joan Freeman como a garçonete Elma Gahrigner e Bernard Kates como Ralph, o legista. Com a crescente dificuldade de encontrar atores convidados que chegassem de ônibus todas as semanas, as histórias passaram a se concentrar mais nos moradores da cidade, o que deixou pouco espaço para a protagonista e levou à sua saída da série após 13 episódios. Ela disse: "Não havia nada que eu pudesse fazer senão servir uma segunda xícara de café e indicar o caminho para o banheiro masculino".

Recepção O autor Stephen King elogiou o episódio “I Kiss Your Shadow” de Bus Stop em seu livro Danse Macabre, afirmando ser a história mais assustadora já feita na televisão” e disse que a adaptação da história de Robert Bloch “nunca foi superada na TV e raramente em qualquer outro lugar por um horror crescente e inquietante".

Controvérsia

Episódio "A Lion Walks Among Us" O episódio de 1961 intitulado "A Lion Walks Among Us" com o ator convidado Fabian Forte e a direção de Robert Altman causou controvérsia devido à sua representação de violência.

Sinopse A esposa do promotor público, Sally (Dianne Foster), dá carona ao mochileiro Luke Freeman (Fabian Forte) a caminho de Sunrise, no Colorado. Ele tenta conquistá-la, mas ela o expulsa do carro. Luke então assalta um mercado, matando o dono, Sr. Jordan, ao jogá-lo contra uma mesa e depois atirar nele. Depois disso, o assassino canta para si mesmo uma música chamada "I Couldn't Hear Nobody Pray" (tradução literal: "Eu não conseguia ouvir ninguém rezar"). Logo e seguida, entra numa taverna, Jefty's Road House, onde inicia uma briga após flertar com uma jovem chamada Linda (Jenny Maxwell) e cantar uma música. Ele saca um canivete, mas antes que a briga fique muito séria, o xerife Will Mayberry intervém e o leva para interrogatório sobre o tiroteio no supermercado. Luke tenta se safar, contando uma história sobre a mulher que lhe deu uma carona até a cidade e tentou seduzi-lo. O promotor Glenn Wagner percebe que ele está falando de sua esposa e o ataca. Luke é preso por roubo e assassinato e levado a julgamento, ele canta enquanto está na prisão. Sally é chamada a depor, mas o advogado de Luke, Oliver West (Philip Abbott), tenta desacreditá-la, mencionando seu alcoolismo, tratamento psiquiátrico e sua atração por Luke. Sally desaba em lágrimas no banco das testemunhas e o juiz liberta Luke por falta de provas. Nessa altura, Luke já tinha um grupo de fãs mulheres, incluindo Linda, do bar a quem pediu dinheiro, porém ela lhe deu um tapa na cara. Em seguida, ele roubou e assassinou seu advogado para conseguir o dinheiro. Sally aparece de repente e oferece-lhe uma boleia. Ele aceita, mas Sally, em seguida, atira-se de um penhasco, matando ambos num homicídio seguido de suicídio.

Produção O roteiro foi baseado no romance The Judgement de Tom Wicker. O título provisório do episódio era "Told By an Idiot", mas foi alterado pouco antes da exibição "para enfatizar mais a moral", segundo a emissora. O papel de um assassino psicopata era completamente diferente de tudo o que Fabian tinha feito. "Robert Altman não tinha certeza se eu conseguiria fazer isso", lembra o cantor. "Então eu tive que fazer um teste para ele. E foi uma experiência maravilhosa. Ele olhou para mim e disse: 'Você conseguiu'". “Eu estava morrendo de medo”, diz Fabian. “Entrei [no estúdio] e ele [Robert Altman] me lembrou um cara meio hippie, que eu adorei. Ele era legal, era simpático, me perguntou muito sobre minha vida pessoal, acho que para me deixar à vontade". Robert Altman relembra: "Fabian era apenas um garoto, não um bom ator, e eu trabalhei com ele, não tentando me ensinar a atuar, mas apenas para deixá-lo mais à vontade".

Recepção O episódio foi criticado por sua violência. O principal patrocinador da série, a Brown and Williamson Tobacco Company, recusou-se a patrocinar o programa, alegando que a presença de Fabian atrairia o público adolescente para uma atração que deveria ser destinada a adultos. A Warner Bros. concordou em intervir para promover seu filme The Roman Spring of Mrs Stone; como os patrocinadores principais haviam se recusado a anunciar, trailers de próximos filmes e episódios da série foram exibidos em seu lugar. Vinte e cinco afiliadas da ABC recusaram-se a exibir o programa. Houve ampla discussão sobre quando o episódio deveria ir ao ar. O presidente da ABC, Oliver Treyz, recusou-se a retirá-lo da grade de programação da emissora, mas, quando foi exibido, ocorreu sem comerciais, exceto por anúncios de outros programas da própria ABC. "Ele tem um ponto moral muito claro", argumenta o produtor Robert Blees. "Roy Huggins era um católico muito devoto — às vezes era quase impossível manter seu catolicismo fora da série. Todas as pessoas que o criticaram por ser maligno ou por aprovar o crime estão absolutamente erradas".

Resposta da crítica O Chicago Daily Tribune afirmou que Fabian desempenhou seu papel "de forma eficaz", mas que "um programa de TV como este é um estímulo ao crime e não tem lugar na sala de estar em uma noite de domingo no meio da noite". Jack Gould, do The New York Times, descreveu-o como:

Uma hora de feiura sombria e sórdida — mais barata do que qualquer coisa já vista na televisão... Uma peça pode frequentemente ser extremamente desagradável e ainda assim despertar interesse e respeito devido à profundidade de sua análise dos personagens. Mas a apresentação da noite passada não teve tal justificativa ou desculpa; foi uma exploração incessante dos instintos mais baixos de um animal fora de controle... O ataque de violência e insinuações da noite passada certamente estava deslocado em um horário conhecido por atrair um público jovem substancial. A glorificação de um assassino psicótico combinada com os maneirismos frequentemente imitados de um ídolo adolescente certamente não foi algo atraente.

Poucos dias depois, Gould voltou a atacar o programa, chamando-o de:

Uma exibição vergonhosa e desprezível de afronta à decência, uma glorificação indescritivelmente grosseira da vulgaridade para obter audiência fácil... Um delinquente arrogante foi mostrado assassinando pessoas por diversão, fazendo piadas sobre sexo de maneira próxima à pura obscenidade, insinuando coisas dignas de um bordel, insultando atitudes sociais, zombando da autoridade e exibindo uma barbárie semelhante à de um animal... Uma exploração comercial do sensacionalismo e da selvageria, uma representação da feiura do homem para proporcionar emoções baratas.

Gould voltou a criticar o programa em uma terceira coluna, em abril de 1962, ao tratar da censura na televisão. A edição de Richard Van Enger rendeu-lhe o segundo prêmio de melhor edição de televisão do ano no American Cinema Editors Awards.

Impacto político O programa atraiu comentários negativos de políticos em Washington, onde o senador Thomas J. Dodd liderou um comitê do Congresso para investigar a violência na televisão. O episódio foi exibido ao comitê, e Treyz foi interrogado sobre o programa, afirmando que não desejava desencorajar artistas criativos ao “censurar” (blue pencilling) suas obras. Posteriormente, Treyz admitiu que a transmissão do programa foi um erro. Ele foi demitido da ABC, Bus Stop foi cancelada e seu produtor executivo, Roy Huggins, não conseguiu viabilizar outros programas com a produtora 20th Century Fox. "A Lion Walks Among Us" nunca mais foi exibido em horário nobre na televisão. Roy Huggins, que atuou como produtor executivo do episódio, argumentou posteriormente na revista Variety que sua intenção havia sido mal compreendida:

Sociólogos e teólogos de destaque concordam que a característica mais desanimadora de nosso tempo é o culto à tranquilização, a compulsão de negar a existência do mal. Em "Lion", o personagem de Fabian era pura alegoria. Ele era o mal absoluto, o próprio anjo caído. Estávamos tentando dizer que o mal existe, que fechar os olhos para ele é convidar o desastre. O verdadeiro vilão da obra era o advogado de defesa, que, nas palavras de um de nossos personagens, acreditava que "não existe menino mau". A evidência do mal estava ali para que ele a visse, mas ele se recusou a enxergá-la. No fim, Luke o matou. Muitos que, de outra forma, gostaram do programa o criticaram porque Luke não tinha motivação ao matar o advogado. Foi justamente a ausência de motivação declarada nesse ato que manteve a alegoria pura. A reação violenta ao programa pareceu indicar que nossa premissa era clara demais. De meu leito de dor, ofereço este conselho a qualquer um que queira apelar para o grande público: Nunca questione o culto à tranquilização. Enalteça, não critique!

Um crítico de televisão posteriormente descreveu esse argumento como “a falsa premissa, a descrição distorcida e a conclusão enganosa de Huggins”.

Carreira de Fabian Fabian foi um dos poucos a se beneficiar com o programa, que lhe conferiu novo respeito por sua atuação. "Toda esta cidade me vê de maneira diferente agora — eu posso sentir isso", afirmou. "Há algo curioso sobre aquele programa. Acho que, se tivesse sido um dos programas de TV de Hitchcock e sem um grande nome no elenco, ninguém teria ouvido falar dele." "Foi a melhor crítica que já recebi como ator", recordou posteriormente. "Dou muito crédito a Altman por isso." Sua atuação levou a um convite para atuar em The Dick Powell Show e também em The Longest Day. Posteriormente, acrescentou:

Diante da polêmica que isso gerou, agora escolho com mais cuidado. Seleciono trabalhos pelo conteúdo dramático, mas evito o tipo de assassino sem sentido. Lamentei a controvérsia — ninguém me pressionou a fazer aquilo. Pareceu um verdadeiro desafio depois de tantos papéis adolescentes sem expressão. Foi a primeira vez que me ofereceram algo significativo. Claro que depois surgiram papéis na mesma linha, mas eu os recusei. Ainda assim, acredito que a experiência superou as desvantagens.

Versão proposta para longa-metragem Segundo Fabian, a 20th Century Fox pretendia filmar algumas cenas adicionais e transformar o episódio em uma versão cinematográfica para lançamento na Europa. No entanto, ele afirma que recusou a proposta porque "eu conseguia imaginar isso sendo divulgado lá como algo sensacionalista, e não achei que isso me faria bem algum". Anos depois, contudo, declarou que "estava rezando para que fizessem o filme. Mas, por causa da repercussão negativa, dos anunciantes e das audiências com o senador Dodd, engavetaram o projeto. Isso teria mudado toda a minha vida. Bem, talvez tivesse".

Referências

Ligações externas

Bus Stop no IMDb